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Com informações da BBC –  06/08/2015

Esta seria a aparência do Concorde 2.0 hipersônico, caso ele chegue a ser fabricado. [Imagem: Airbus/Divulgação]

Esta seria a aparência do Concorde 2.0 hipersônico, caso ele chegue a ser fabricado. [Imagem: Airbus/Divulgação]

Avião ou nave?

A Airbus registrou a patente de um avião de passageiros hipersônico junto ao Departamento de Patentes dos Estados Unidos. A aeronave, misto de avião e foguete, poderia atingir velocidades de até Mach 4,5, ou quatro vezes e meia a velocidade do som – cerca de 5.500 km/h. O Concorde chegava a uma velocidade de Mach 2. A aeronave poderia teoricamente fazer o trajeto entre Londres e São Paulo, de 9,5 mil quilômetros, em menos de duas horas, uma enorme economia em relação às atuais cerca de 12 horas.

Para lidar lidar com a aceleração, os assentos seriam mais parecidos com redes. Contudo, e apesar de ter batizado o avião de Concorde 2.0, a Airbus provavelmente não pretende criar um avião para linhas normais: ele só pode levar 20 passageiros a bordo, insuficientes para cobrir os custos operacionais de viagens tradicionais. O mais provável é que as diversas peças de tecnologia patenteadas possam ser usadas individualmente em outros modelos de avião, ou que a empresa pretenda explorar o mercado de turismo espacial, que tem uma longa fila de espera, mas cuja exploração comercial foi retardada com o acidente com a nave da Virgin Galactic no ano passado.

A Airbus começou a testar um modelo híbrido de avião e espaçonave em 2014. Em 2011, a empresa já havia apresentado um conceito avião futurista, além de um misto de avião e nave voltado para turismo espacial, com características muito semelhantes às descritas neste pedido de patente:

 

Ilustração da aeronave, constante do pedido de patente. [Imagem: USPTO/Airbus]

Pode parecer estranho a requisição de patente de um avião, mas os documentos do pedido falam em um “veículo aéreo ultrarrápido e método relacionado de locomoção aérea”.

A nova aeronave usaria vários tipos de motores para vários fins e a energia viria de hidrogênio estocado a bordo do avião. Para a decolagem, além dos motores a jato tradicionais, embaixo da fuselagem, o avião teria um motor-foguete na parte traseira. Isto eliminaria o problema do estrondo sônico, gerado quando um veículo supera a velocidade do som, que pode assustar as pessoas e quebrar janelas, e que exigia que o Concorde somente acelerasse para valer quando estava sobre o oceano – o estrondo sônico ocorre em um foguete, mas ele se propaga perpendicularmente à direção do voo, sendo praticamente imperceptível do solo.

Uma vez no ar, as turbinas seriam desligadas e recolhidas e o motor-foguete daria o impulso para a aeronave subir a uma altitude de cerca de 30,5 quilômetros – ele subiria na vertical, como um ônibus espacial. Na altitude adequada, com menor arrasto atmosférico, motores do tipo que geralmente se usa em mísseis seriam ligados e o voo alcançaria a velocidade de Mach 4,5.

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