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Com informações da Fapesp – 01/07/2015

Nódulos polimetálicos fotografados a cerca de 700 km da costa do Rio de Janeiro. [Imagem: Ag.Fapesp]

Nódulos polimetálicos fotografados a cerca de 700 km da costa do Rio de Janeiro. [Imagem: Ag.Fapesp]

Minérios no fundo do mar:

Em algumas áreas no fundo dos oceanos, em profundidades que podem atingir 5 mil metros, é possível encontrar diversos tipos de depósitos de metais. Os mais comuns são nódulos de manganês, com diâmetro entre 10 e 20 centímetros, distribuídos no assoalho oceânico, sobre o sedimento marinho, compostos por manganês, ferro, cobre, níquel e cobalto.

Já em profundidades um pouco menores, entre 500 e 1.000 metros, também podem ser observadas crostas polimetálicas, com aspecto semelhante ao de asfalto, e depositadas sobre afloramentos rochosos, que são ricas em cobalto e têm menores teores de manganês, cobre e níquel do que os nódulos polimetálicos.

“O objetivo do projeto é entender quais as razões ambientais que condicionaram a ocorrência desses depósitos poli metálicos nos montes submarinos e nas planícies abissais [zona plana que ocupa grande extensão do fundo dos oceanos e que ocorre a profundidades de, aproximadamente, 5 mil metros] do oceano Atlântico Sul e Norte”, explica Frederico Pereira Brandini, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.


As missões de exploração serão feitas com auxílio do navio oceanográfico Alpha Crucis. [Imagem: Stabbert Maritime]

As missões de exploração serão feitas com auxílio do navio oceanográfico Alpha Crucis. [Imagem: Stabbert Maritime]

Mineração marinha:

Como há interesse econômico pelos minerais encontrados nos depósitos polimetálicos marinhos, que têm diversas aplicações industriais e tecnológicas, os pesquisadores também pretendem avaliar os impactos ambientais da extração dos minérios encontrados nas crostas e nódulos polimetálicos considerando diferentes cenários econômicos, tecnológicos e geopolíticos.

As crostas polimetálicas oceânicas, por exemplo, possuem concentrações de telúrio – um mineral fundamental para o desenvolvimento de células fotovoltaicas – muito maior do que qualquer rocha na crosta continental da Terra. Os nódulos polimetálicos oceânicos, por sua vez, possuem teores de níquel – mineral usado em baterias de aparelhos celulares, notebooks e tablets – em nível 20 vezes maior do que os das jazidas terrestres. Esses depósitos polimetálicos concentrariam ainda 1 bilhão de toneladas de cobalto.

A ISBA (Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, na sigla em inglês) estima que cerca de 6,35 bilhões de quilômetros quadrados, ou 1,7% do solo do oceano, sejam cobertos por crostas polimetálicas. A entidade já deu autorização ao Brasil para iniciar a prospecção mineral no Atlântico em 150 áreas.


Uma empresa de mineração canadense já está com tudo pronto para começar a mineração no fundo do mar, na costa da Papua Nova Guiné. [Imagem: Nautilus Minerals]

Uma empresa de mineração canadense já está com tudo pronto para começar a mineração no fundo do mar, na costa da Papua Nova Guiné. [Imagem: Nautilus Minerals]

  Minissubmarinos:

De acordo com o pesquisador Frederico Pereira Brandini, que coordena o projeto do lado brasileiro, o estudo será realizado na Elevação do Rio Grande – uma cadeia de montanhas submersa a cerca de 1,3 mil quilômetros do litoral do Rio Grande do Sul -, e nas planícies abissais ao largo da Ilha da Madeira, no Atlântico Norte. Ambas as regiões são conhecidas por possuírem nódulos e crostas polimetálicas.

Os minissubmarinos, capazes de mergulhar a profundidades de até 6,5 mil metros, são equipados com câmeras de vídeo, sensores e instrumentos científicos e possuem “braços” para manipulação, capazes de selecionar e recolher amostras de objetos pequenos e delicados com precisão e realizar experimentos no oceano profundo que seriam impossíveis de serem feitos por mergulhadores humanos devido à pressão da água.

Segundo os pesquisadores, uma das vantagens do uso de veículos subaquáticos robóticos no projeto é que eles possibilitarão visualizar a área intacta onde amostras de depósitos polimetálicos serão recolhidas por meio de imagens transmitidas em tempo real à embarcação através de cabos de fibra óptica.

Origem dos minérios marinhos:

Há diversas hipóteses para explicar a formação dos depósitos polimetálicos, mas existem duas teorias opostas.

A primeira delas defende que a formação de nódulos polimetálicos é mediada por microrganismos que formam, através de processos de biomineralização (em que organismos produzem minerais) micronódulos que aumentam de tamanho com o passar do tempo pela deposição de mineral resultante de processos biogênicos.

A segunda hipótese é que os depósitos polimetálicos podem ter sido criados a partir de elementos encontrados no próprio solo do fundo do mar. Os pesquisadores do projeto esperam levantar dados suficientes para dar suporte a uma dessas teorias – ou revelar uma nova.

 

A corrida pela mineração no fundo do mar tem foco sobretudo nos nódulos polimetálicos. [Imagem: BBC]

A corrida pela mineração no fundo do mar tem foco sobretudo nos nódulos polimetálicos. [Imagem: BBC]

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