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IMG - post industriaAs empresas demandam tecnologia, mas o investimento em pesquisa e desenvolvimento das companhias siderúrgicas ainda é baixo no Brasil, comparado à média global. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Metalurgia e Metais na segunda metade da última década apontava que esse total representava apenas 0,035% das receitas do setor, valor que pouco se alterou desde então, segundo o autor do estudo, o professor José Carlos D’Abreu, do Centro Técnico-Científico da PUC do Rio de Janeiro.

Essa proporção chega a 1% da receita das siderúrgicas na Alemanha e a 1,8%, no Japão. “Esse mesmo valor, no Brasil, era de 0,2% em 1992, o que mostra que houve uma desaceleração nas últimas décadas. A maioria dos Centros Tecnológicos da cadeia siderúrgica no País foi desativada a partir dos anos 2000, se convertendo em Centros de Apoio Técnico”, conta D’Abreu.

O resultado é que a pesquisa e desenvolvimento siderúrgico ficaram mais concentrados nas universidades. “Desse modo, não há inovação radical, apenas inovações incrementais, ou seja, de melhorias em máquinas e processos”, diz D’Abreu. “Os principais avanços tecnológicos do setor chegam incorporados nos equipamentos importados pela indústria”, explica.

Na indústria automobilística, que responde por aproximadamente 25% do consumo de aço hoje no Brasil, o desafio é melhorar o desempenho e a segurança dos veículos para cumprir as metas do Inovar Auto e fazer jus aos benefícios fiscais prometidos pelo programa a partir de 2017. Para isso, é preciso aumentar para 25% a presença dos aços baixa liga de alta resistência nos carros nacionais. Na Europa e nos Estados Unidos, a média chega a 70% e em alguns modelos fica próximo de 100%. Hoje, esses materiais correspondem a apenas 10% do aço presente nos veículos fabricados no Brasil.

Os aços desse tipo são resultado de um esforço conjunto da indústria siderúrgica internacional, desenvolvido por meio do projeto ULSAB (Ultra Light Steel Body Auto). A pesquisa conjunta serviu de base para que cada empresa criasse suas próprias soluções. O Grupo ArcelorMittal desenvolveu um conjunto de soluções em aços planos automotivos, o S-in Motion, que permite reduzir o peso de um veículo de passeio em até 20% mantendo o mesmo custo de produção.

“Com menos peso, os veículos consomem menos combustível e causam menor impacto no meio ambiente”, diz André Murani, gerente de vendas para o setor automotivo da ArcelorMittal Tubarão.

A CSN, por sua vez busca se consolidar como fornecedora de aços de alta resistência no segmento automotivo. No ano passado, a empresa gerou cerca de 20% da receita a partir de novos produtos ou da adequação tecnológica de produtos existentes. Nessa área, o carro chefe da empresa são os aços galvanizados de alta resistência bifásicos CSN Dual Phase 600 e Ferrita-Baianita 450 e 590.

(Fonte: Valor Econômico – 13/07/2015)

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