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Albert Steinberger – De Berlim para a BBC Brasil (4 de setembro, 2014)

A Alemanha, o “motor econômico” da União Europeia – e quarto maior PIB do mundo – deve, segundo especialistas, boa parte da alta produtividade de sua indústria à formação qualificada de seus trabalhadores.

“Na prática, as escolas profissionalizantes formam o pilar do sucesso econômico das empresas alemãs”, disse Steffen Bayer, chefe da unidade de treinamento no Exterior da Câmara de Indústria e Comércio alemã (DIHK, da sigla em alemão), à BBC Brasil.

Conhecido como “sistema dual”, o modelo alemão de ensino técnico – que chega a ser “exportado” para outros países, como os Estados Unidos – permite que o aluno passe um terço do tempo de curso na escola e dois terços na própria empresa.

As empresas bancam cerca de 90% dos custos anuais dos cursos, o equivalente a entre R$ 75 e 80 bilhões de reais, enquanto o Estado arca com menos de dez por cento dos gastos, investidos principalmente nas estruturas das escolas profissionalizantes. A formação de cada estudante custa em média R$ 200 mil.

O modelo alemão de ensino técnico permite que o aluno passe um terço do tempo de curso na escola e dois terços na própria empresa
Na capital alemã, cerca de 65% dos aprendizes decide permanecer na própria firma em que fez o curso

“O fato das empresas investirem tantos recursos nesta formação de mão de obra especializada é um indicador de que é um investimento que economicamente faz sentido, já que traz lucros e é sustentável no longo prazo”, ressalta Bayer.

De acordo com dados da DIHK, mais da metade dos alunos no fim do ensino médio optam pelas chamadas Berufsschulen (“escolas profissionalizantes” em tradução livre) em vez das universidades.

Mais de 300 cursos profissionalizantes são oferecidos no país. Eles podem durar de dois até três anos e meio. Todos têm algo em comum uma grade curricular elaborada pelas empresas, o que garante uma sintonia entre os jovens que entram mercado de trabalho e as empresas.

“A Alemanha tem a menor taxa de desemprego da Europa e uma das menores do mundo e isto está diretamente ligado ao sistema dual”, diz Gerd Woveries, da Câmara da Indústria e Comércio de Berlim.

Na capital alemã, cerca de 65% dos aprendizes decide permanecer na própria firma em que fez o curso, os outros tem a opção de se aventurar no mercado de trabalho ou seguir com sua formação – alguns chegam a optar pela universidade.

Em clima de cooperação técnica – e para aproveitar a reputação de excelência do programa como forma de “soft power” – a Câmara da Indústria e Comércio promove, através de Embaixadas alemãs, a implementação das Berufsschulen em outros países, com adaptações regionais.

O Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha selecionou 11 países para tentar implementar os cursos. Um deles é o Brasil, onde a Câmara Brasil Alemanha busca parceiros para lançar os primeiros cursos até outubro de 2015.

Imagens: Agnès Bel

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